Lixo espacial polui órbita do planeta


Milhares de satélites e também muito lixo recobrem a Terra.
Objeto mais recente a despencar é uma esfera que caiu no interior de Goiás.

Foto retirada da revista da National Geographic (Abril 2007)

Caiu um pedaço de lixo espacial esta semana no Brasil: uma bola de metal, com um metro de diâmetro, perto de uma casa em Goiás. Dias depois, outro objeto despencou do céu, dessa vez na Austrália. Tem de tudo vagando pelo espaço: até sacos de lixo abandonados pelos astronautas.

A Terra é recoberta por uma grossa camada de objetos feitos pelo homem. Milhares de satélites e também muito lixo – quase dez mil fragmentos. De vez em quando, uma dessas peças abandonadas desaba do céu. O objeto mais recente do lixo espacial a despencar na Terra é uma esfera que caiu perto do município de Montividiu, no interior de Goiás. Caiu a 150 metros de uma casa.

Os técnicos da Comissão Nacional de Energia Nuclear foram ao local e tranqüilizaram a população, que estava com medo de se tratar de um objeto radioativo. O aparelho que mede a radiação não detectou nada.

O objeto não era radioativo e foi transportado até a sede da Comissão Nacional de Energia Nuclear, perto de Goiânia. No início, muitos cuidados, por causa de uma poeira que o material soltava. Mas o especialista em satélites, José Nivaldo Hinckel, enviado de São Paulo, explicou que o objeto pode ser um componente de um tanque de combustível, por exemplo, de um artefato espacial.

“A casca metálica é de titânio e o reforço externo é de fibra de carbono. Isso é muito comum em satélites”, afirmou Hinckel. “O fato de o metal ter derretido localmente é indicação clara que isso tenha sido submetido a uma temperatura muito elevada e a temperatura provavelmente foi causada pelo atrito durante e reentrada. Essa é a indicação bem clara de que isso tem origem espacial”, acrescenta.

Em 2001, um outro objeto de origem espacial despencou em uma região isolada de Mato Grosso do Sul. Na área, hoje existe uma pousada. O lixo espacial virou atração. “Eu peguei a bola e balancei um pouco. Tinha um líquido dentro. Quando vi o equipamento do pesquisador fiquei preocupado. Vi que poderia ter sido contaminado por radiação, mas eles mediram tudo e não tinha perigo”, conta o funcionário Eduardo Jorge Correa.

O astrônomo Roberto Boczko explica que o maior perigo está lá no alto, para os astronautas que navegam em meio a um monte de lixo. Por exemplo: uma luva, perdida pelo astronauta Ed White, em 65, em uma caminhada espacial. “Uma luva andando a quarenta mil quilômetros por hora lá no espaço, se bater em uma estação espacial, fura”, ressalta. “Eu não dormiria tranqüilo. A probabilidade de ser atingido é muito grande”.

O astrônomo afirma que o lixo espacial que cai na terra geralmente está em altitudes baixas, cerca de quinhentos quilômetros. Nessa região ainda resta um pouco de atmosfera, que aos poucos vai “segurando” o satélite. Até que um dia ele cai. Muitos queimam quando se aproximam da terra. “Às vezes, um tamanho maior acaba conseguindo atravessar a atmosfera inteira. Imagine um fragmento desses extremamente aquecido caindo em um depósito de combustível pode causar uma tragédia razoavelmente grande”, destaca Boczko.

Como os oceanos ocupam 75% da Terra, a chance é de 75% de o lixo espacial cair no mar. “É acreditar na sorte mesmo. Realmente é acreditar na sorte.”

Fonte:G1

Deixe um comentário

Arquivado em Notícias

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s